Um ano sem Padre Quevedo

“Nenhum deles procura outro curandeiro quando está doente”

Mathias Ribeiro
. Atualizado: 9/01/2020 às 15h:17

Hoje completa um ano que perdemos o jesuíta Oscar González Quevedo, conhecido como Padre Quevedo. Ele tinha 88 anos e ficou popular pelo bordão “Isso non ecziste”, repetido por ele incontáveis vezes enquanto apresentou o quadro “O Caçador de Enigmas”, que fez parte do “Fantástico”, na TV Globo, entre janeiro e maio de 2000. O objetivo — do quadro e de toda a trajetória religiosa de Padre Quevedo — era desvendar fenômenos da natureza e desmascarar charlatões que se aproveitavam da fé das pessoas.

Nesse papel de desmistificar fenômenos parapsicológicos, curandeiros e acontecimentos tidos como inexplicáveis, tornou-se figura extremamente midiática desde os anos 1970. Em diversas aparições televisivas e em entrevistas, confrontou-se com alguns dos mais célebros místicos do país, como Zé Arigó, João de Deus, Thomas Green Morton, INRI Cristo e o israelense Uri Geller. Escreveu mais de uma dezena de livros, tratando de temas como demonologia, curandeirismo e espíritos.

Atacava os curandeiros (“Nenhum deles procura outro curandeiro quando está doente”), afirmando que praticavam exercício ilegal da medicina e prejudicavam os doentes que os procuravam. Também voltou sua ira contra os espíritas (“O espiritismo é uma bobagem total”).

Além do feito, ele possuía o título de estar entre os maiores especialistas do mundo no campo da parapsicologia. Seus livros, que lhe trouxeram grande sucesso, venderam inúmeras cópias. Nomes como “O que é parapsicologia?”, “A Face Oculta da Mente” e “As Forças Físicas da Mente” são conhecidos e ganharam traduções em diversos idiomas. Como se sua formação na área não fosse suficiente, ele ainda completava o diploma com graduação em filosofia, teologia e humanidades clássicas.

Aos 15 anos de idade, ele ingressou na Companhia de Jesus, segundo informado pela Ordem dos Jesuítas. Em 1959, com 29 anos, chegou ao Brasil e um ano depois, naturalizou-se brasileiro. Ele foi professor de parapsicologia em São Paulo no Centro Universitário Salesiano (Unisal) e no Centro Latino-Americano de Parapsicologia (Clap), no qual também ocupou o cargo de diretor por alguns anos.

Nos anos 90, o padre ganhou um quadro no Fantástico chamado O Caçador de Enigmas no qual desmascarava charlatões e repetia o bordão “Isso non ecziste”. O programa foi idealizado em agosto de 1999, segundo o site Memória da Globo, inspirado no sucesso de audiência da época, Mister M.

Que Deus o tenho em um bom lugar.

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