Padre de Uberaba, MG é excomungado pela Igreja

Por: Nicolas Matheus
. Atualizado: 4/06/2020 às 15h:20

José Lourenço da Silva Júnior foi demitido da Igreja Católica em 2018 e anunciou recentemente que voltaria ao trabalho eclesiástico na Igreja Católica e Apostólica Brasileira, mas acabou sendo excomungado na Igreja Católica Apostólica Romana. Padre Júnior anunciou que estabeleceria uma sede para a Igreja Católica Apostólica Brasileira em Uberaba, no bairro da Serra Dourada, com o nome de Nossa Senhora Desatadora de Nós.

Segundo informações do decreto de censura de excomunhão da Arquidiocese de Uberaba, a decisão foi tomada depois que a Cúria Metropolitana tomou conhecimento da “admissibilidade e receptividade do agora Sr. José Lourenço da Silva Júnior na comunidade eclesial conhecida e conhecida como Apostólica Brasileira Igreja Católica (ICAB) ”, diz o documento.

O documento assinado por Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, menciona a renúncia de Lourenço em 2018, que ocorreu devido a “crimes que foram provados de forma irrefutável pela Congregação para o Clero”. Na época, Padre Júnior foi dispensado dos deveres sacerdotais, incluindo o celibato, e não é mais reconhecido como sacerdote.

Segundo a arquidiocese, com sua atual admissão na Comunidade Eclesial, Lourenço cometeu um ato cismático fazendo parte de outra instituição, violando o código da lei canônica 751, “que é a recusa de sujeição ao Sumo Pontífice e de Comunhão com os membros. da Igreja que a ela se sujeita ”.

Considerando a confirmação dos fatos, a arquidiocese declara que “assim procede, separa-se da plena comunhão da Igreja Apostólica Católica Romana, conforme estabelecido na cân.205 e, como tal, incorre no crime de cisma pela lata. 1364, que ora expressamente cismática incorre em excomunhão latae sententiae, isto é excomunhão automático ”.

Com a excomunhão, Lourenço não poderá celebrar sacramentos. “É proibido participar de atos que possam ser celebrados pelo homem mencionado, sob pena de incorrer em penalidades criminais. Além disso, a Igreja Católica Apostólica Romana não reconhece a validade do batismo da Comunidade Eclesial (ICAB), na qual ele entrou, e então os outros sacramentos não existem validamente, pois o primeiro é duvidoso ”. Por fim, a nota enviada à imprensa diz que torna pública a afirmação de que “a pessoa excomungada não leva a erro aos fiéis católicos de Cristo”.

Confira abaixo o documento na íntegra:

Decreto Declaração de Censura de Excomunhão Latae Sententiae

Faz-se mister dar conhecimento de causa que chegou à sede desta Cúria Arquidiocesana de Uberaba, MG, fatos e provas referentes à admissibilidade e receptividade do agora Sr. José Lourenço da Silva Júnior na Comunidade Eclesial denominada e conhecida por Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB). Em decorrência disso e

CONSIDERANDO que depois de um legítimo processo, onde delitos foram irrefutavelmente comprovados pela Congregação para o Clero, obtendo como resultado o Decreto datado do dia 30 de julho de 2018, Prot. 2017 – 0777/F, com o qual o Sr. José Lourenço da Silva Júnior, foi demitido do estado clerical, não sendo expulso da Igreja, permanecendo assim como fiel de Cristo na Igreja Católica Apostólica Romana, mas no estado leigo (cf. cân. 290, 1º; 292);

CONSIDERANDO que o Sr. José Lourenço da Silva Júnior disse ter sido admitido e ingressado na Comunidade Eclesial, autodenominada Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB), incorrendo desse modo como fiel leigo no cisma, previsto no cân. 751, que é a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice e da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos;

CONSIDERANDO que procedendo desse modo se separa da comunhão plena da Igreja Católica Apostólica Romana, de acordo com o estabelecido no cân. 205, e como tal incorre no delito de cisma prescrito pelo cân. 1364, § 1, que expressamente reza: “…o cismático incorre em excomunhão latae sententiae”, isto é, excomunhão automática.

DECLARAMOS

que o Sr. José Lourenço da Silva Júnior, como fiel no estado leigo, está automaticamente excomungado da Igreja Católica Apostólica Romana e, não estando mais no estado clerical, não poderá celebrar os Sacramentos e os Sacramentais além das demais proibições contidas no cân. 1331, dentre as quais algumas já não executáveis em decorrência do seu novo status na Igreja. Por isso, ao fiel católico Apostólico Romano é proibida qualquer participação em atos, que porventura forem celebrados pelo referido senhor, sob pena de incorrer em sanções penais, recordando a normativa dos cân. 11 e 205. Além disso, a Igreja Católica Apostólica Romana não reconhece a validade do batismo da Comunidade Eclesial (ICAB) na qual ele ingressou, não existindo então validamente os demais sacramentos, já que do primeiro se dúvida.

Elevemos nossas orações para que o ora declarado excomungado, retorne à plena comunhão da Igreja Católica Apostólica Romana e não conduza os fiéis de Cristo católicos ao erro, dizendo que as celebrações que porventura efetuar têm valor de Sacramento como entendido pela Igreja Católica Apostólica Romana. Em decorrência disso, tornamos pública essa declaração, para que ninguém possa se dizer ignorante das normas eclesiásticas, conforme os cân. 15 e 1325, como outrossim tome ciência do delito de excomunhão cometido por ele, e de que o mesmo não mais pode celebrar os Sacramentos e os Sacramentais.

Uberaba, 1 de junho de 2020.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

Marlene Aparecida Manzan Paiva

Chanceler do Arcebispado

Protocolo: 359/2020

Encontrou algo errado na matéria?

Nosso apostolado possui em sua equipe editorial jornalistas profissionais, sacerdotes, professores e leigos, por esta razão, é possível que o conteúdo do nosso site contenha erros e para isso precisamos da sua ajuda.




Leia Mais

Comentários

Apenas usuários logados podem comentar ou responder nossas matérias.