ONU não falou que levar crianças à missa é violação dos direitos humanos

Por: Redação Deo Vero
. Atualizado: 6/01/2019 às 00h:50

Apoia-se em dados errados texto publicado por alguns sites de cunho religioso, sobre um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) ter dito que “levar crianças à igreja é violação dos direitos humanos”. Na verdade, o documento aborda somente de crianças do Reino Unido, algumas das quais são obrigadas a comparecer a atos religiosos muitas vezes da igreja anglicana em escolas públicas, sem a opção de não participar.

A relato falso circula nas redes sociais desde 2016 e já obteve cerca de 8.000 compartilhamentos em diferentes páginas do Facebook.

A mesma fake news existe em versões semelhantes na rede.

O relatório em questão foi divulgado em junho de 2016 e está disponível online em inglês, você pode conferir neste link. O documento, feito pelo Comitê dos Direitos da Criança da ONU, fala apenas da situação das crianças britânicas.

Na página 7, o relatório diz:

“34. The Committee is concerned that pupils are required by law to take part in a daily religious worship which is “wholly or mainly of a broadly Christian character” in publicly funded schools in England and Wales, and that children do not have the right to withdraw from such worship without parental permission before entering the sixth form. In Northern Ireland and Scotland, children do not have right to withdraw from collective worship without parental permission. “

“o comitê está preocupado que estudantes sejam obrigados por lei a participar de atos religiosos diários que são ‘totalmente ou em grande parte de base cristã’ em escolas públicas na Inglaterra e no País de Gales, e que as crianças não têm o direito de optar, até o ensino médio, por deixar de comparecer a esses atos religiosos sem a permissão dos pais. Na Irlanda do Norte e na Escócia, crianças não têm o direito de deixar de comparecer a atos religiosos sem a permissão dos pais”.

Posteriormente, o conselho faz uma sugestão para que os países do Reino Unido parem de forçar alunos a participar de atos religiosos em escolas públicas e possibilitem que eles possam ter a livre escolha, sem precisar de permissão dos pais. Ou seja, o texto não fala de levar crianças à igreja, mas levá-las à força.

Após a publicação do relatório da ONU, políticos do Partido Conservador no Reino Unido se colocaram opostos à conclusão. Associações que lutam pelo Estado laico, por outro lado, defenderam o relatório. Até hoje, porém, não houve nenhuma mudança na legislação.

A fake news que circula na internet omite que o relatório trata de cultos – na maioria das vezes, missas anglicanas – em escolas públicas e declara, erroneamente, que o desfecho do relatório é que “frequentar a igreja poderia ser uma violação dos direitos humanos”. No entanto, em nenhum trecho do documento afirma isso ou faz julgamento de valor sobre os atos religiosos em si, apenas ao fato de que estudantes são obrigados a comparecer à missa.

De acordo com o site aosfatos.org, o link já teve 186 mil reações e 39 mil compartilhamentos na rede social desde que foi criado.

A equipe de redação Deo Vero tem compromisso com a verdade, portanto estamos desmentindo esta Fake News.

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