Falece aos 99 anos Frei Roberto

Por: Redação Deo Vero
. Atualizado: 19/05/2020 às 23h:17

O frade capuchinho, conhecido carinhosamente por Frei Robertinho ,fez sua páscoa nesta segunda-feira, dia 18, às 15, em sua residência , a Cúria Provincial dos Capuchinhos do Ceará e Piauí, localizada no Centro de Fortaleza, ao lado do Santuário Coração de Jesus. Ainda não foram dadas informações sobre os funerais.

Segundo o Blog O Ancoradouro, “algumas imagens de Frei Robertinho viralizaram na internet como ele, mesmo com a elevada idade, fazendo genuflexão para o Santíssimo Sacramento, abençoando um policial militar no hospital e cantando a música “barca de Jesus”, a sua preferida”.

Juari Magalhães de Sousa nasceu no dia 10/09/1920, em Maracanaú, no Ceará, filho José Joaquim de Sousa e Joana Magalhães de Sousa. No início de março de 1934, quando tinha 13 anos de idade, ingressou no Convento do Coração de Jesus, em Fortaleza, e foi imediatamente enviado para São Luís do Maranhão, sede da Missão Capuchinha, onde já havia um grupo de seminaristas. Lá, em 10/05/1934, recebeu o hábito capuchinho e o nome de Frei Roberto Maria de Maracanaú. No final do mesmo ano, voltou com este grupo para Fortaleza, desta vez para o Seminário Seráfico de Messejana, inaugurado no dia 09/12/1934. Este é um fato altamente significativo, pois ele fez parte da primeira turma do nosso “Collégio Seráphico” – conforme a grafia daquela época.

Terminada essa primeira etapa, foi admitido ao Noviciado em 19/03/1938, em Esplanada, na Bahia. Completado o ano do Noviciado, fez sua profissão religiosa em 20/03/1939. Na época as então Custódias do Maranhão, (Província da Lombardia), de Pernambuco, (Província de Lucca) e da Bahia, (Província das Marcas), tinham etapas formativas em comum: o Noviciado em Esplanada e a Filosofia em Guaramiranga, Ceará.

Após o Noviciado ele cursou a Filosofia em Guaramiranga, de 1939 a 1941. Em seguida cursou a Teologia, sendo os dois primeiros anos, 1942-1943, no Seminário Diocesano de São Luis do Maranhão e os dois últimos, 1944-1945, em Messejana. Vale lembrar que naquela época, estes estudos eram feitos nos próprios conventos, com professores da Ordem. Ele recebeu a partir do 2° ano de Teologia, as Ordens Menores e o Diaconato, como é previsto no Direito Canônico.

A sua ordenação sacerdotal deu-se em 01/10/1944, na igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Fortaleza. O bispo ordenante foi Dom Frei Emiliano José Lonati, bispo da Prelazia de Grajaú. Após a ordenação que ocorreu no final do 3° ano de teologia, Frei Roberto continuou em Messejana, cursando o 4° ano de teologia e foi nomeado Assistente do Seminário Seráfico.

Ao término da sua formação em dezembro de 1945, Frei Roberto – que sempre se distinguiu nos estudos – foi nomeado professor de Filosofia no Estudantado de Guaramiranga, em 1946. Em 1950 ele foi nomeado Diretor do referido Estudantado de Filosofia, onde ficou até 1952. Após um ano de intervalo, quando fez diversos trabalhos missionários na Custódia, ele voltou a ensinar Filosofia no Estudantado de Guaramiranga, de 1954 até 1958. Em seguida pregou missões, deu assistência a comunidades, a grupos diversos e prestou muitos outros serviços pastorais, no Ceará e no Piauí.

Em 1965, Frei Roberto foi nomeado professor de Teodiceia no Estudantado em Fortaleza e, após a criação da Custódia Geral do Ceará e Piauí, em 1966, tornou-se Diretor dos Estudantes do Curso Clássico, em Parnaíba. Em 1967 ele foi nomeado professor no Curso de Filosofia da Custódia Geral, em Guaramiranga, e de 1970 a 1972, exerceu a função de Vigário Paroquial na mesma cidade. Em seguida, Frei Roberto foi transferido para Parnaíba, onde continuou seus trabalhos pastorais e missionários até 1980, quando foi a Petrópolis fazer um Curso de Franciscanismo, de um ano, que era oferecido pela CEFEPAL – Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais para a América Latina.

No início de 1981, Frei Roberto foi nomeado Superior do Convento São Benedito, em Teresina e Vigário Paroquial. Em dezembro de 1981 ele foi eleito 2° Conselheiro da recém-criada Vice-Província do Ceará-Piauí. Colaborou ativamente na preparação para a elevação da nossa Vice-Província a Província, o que aconteceu em 1983.

Criada a Província de São Francisco das Chagas do Ceará-Piauí, em julho de 1983, Frei Roberto foi nomeado 2° Definidor, pelo Pe. Geral da Ordem, Frei Flávio Carraro e seu Definitório. Neste mesmo ano, ele foi designado Superior de nosso Convento de Guaramiranga, onde exerceu a função de Vice-Mestre dos Noviços e Vigário Paroquial de Guaramiranga.

Em 1986 Frei Roberto foi nomeado Superior do Santuário São Francisco das Chagas, em Juazeiro do Norte e Diretor do Colégio São Francisco, nesta mesma cidade, onde ele é querido e admirado. Além da Administração da Fraternidade e do Santuário, Frei Roberto atendia solicitações de assistência pastoral em outros municípios da região do Cariri.

Quando fez 50 anos de Sacerdócio, em 1989, Frei Roberto foi à Itália com o Provincial Frei Domingos Teixeira Lima, onde participaram – como convidados – do Encontro dos Provinciais Italianos, com um Estudo sobre as Fontes Franciscanas, em Roma e em Assis. Fizeram uma visita guiada, por Frei Fidêncio Volpi, à Província da Lombardia, onde puderam rever todos os missionários vivos que trabalharam no Ceará, Piauí, Maranhão e no Pará. Visitaram o Santuário de Loreto, Nápoles e outras cidades.

Em 1992, já com mais de 70 anos de idade, Frei Roberto partiu para as “Missões Ad gentes”, na Angola, um sonho antigo. A adaptação climática e alimentar foi bem difícil. Frei Roberto teve problemas de saúde e foi aconselhado pelos médicos a retornar logo ao Brasil. Ao retornar da Angola em 1993, Frei Roberto foi para Guaramiranga. Nesta cidade ele foi agraciado em 1994, com o honroso título de Cidadão de Guaramiranga, em reconhecimento aos seus trabalhos na cidade, todas as vezes em que ele trabalhou naquela comunidade.

Com o avançar da idade, o nosso Frei Roberto Magalhães entrou naturalmente, na faixa dos frades que já não ocupam cargos de comando, e desde 2001 mora no Convento do Coração de Jesus, em Fortaleza. Segue sereno e impávido a sua trajetória do dia a dia, na regular observância de nossa Regra e no seu peculiar estilo de vida. De mente aberta, está totalmente dedicado aos trabalhos pastorais que ele ainda pode fazer: celebrar a Eucaristia, dar unção dos enfermos, atender confissões, inclusive de sacerdotes e bispos, tanto no Convento, como no Santuário do Coração de Jesus; e ainda atua como Assistente Espiritual de três Equipes de Nossa Senhora.

Mantendo-se sempre ativo, nas Romarias de Juazeiro do Norte e nas Missões de que ainda participa ativamente, ele faz muito sucesso cantando a famosa canção “Ida”, que tem como refrão: “Quem é que vai nessa barca de Jesus, quem é que vai?”.

Isso não é pouca coisa, para quem está às vésperas dos 100 anos de idade, pois, como se constata, quanto à pastoral, ele trabalha como se aposentado não fosse. Vale ressaltar que ele, até pouco tempo, participava da Caminhada com Maria, no dia de Nossa Senhora da Assunção, padroeira de Fortaleza, muitas vezes percorrendo trechos do percurso da Caminhada a pé.

Um fato digno de menção e destaque é que Frei Roberto, já com mais de 90 anos de idade, por solicitação da Arquidiocese de Fortaleza, traduziu do latim para o português, a longa Bula da Criação da Diocese de Fortaleza, um trabalho extraordinário para sua idade avançada. Depois fez o mesmo trabalho para algumas outras dioceses do Ceará.

Ele mantém-se intelectualmente ativo, tanto que há alguns anos, Frei Roberto dedica-se à árdua e ingente tarefa de traduzir, do latim para o português, alguns Sermões do Mariale de São Lourenço de Brindes, da Opera Omnia do mesmo santo, que temos em nossa Biblioteca Central.

Uma pesquisa que eu fiz junto à Conferência dos Capuchinhos do Brasil, em maio de 2019, confirmou o que nós esperávamos: Frei Roberto Magalhães é o capuchinho mais provecto do Brasil. Em plena lucidez, todo dia ele lê o jornal, resolve os passatempos, informa-se sobre a vida da Província, da Ordem e da Igreja, bem como da política do Estado do Ceará e do Brasil.

Em março de 2019 Frei Roberto Magalhães foi homenageado pelos 80 anos de Profissão Religiosa, numa Sessão Solene da Câmara de Vereadores de Maracanaú, como filho ilustre da cidade e recebeu um honroso Diploma, em justa e bem merecida homenagem.

Assim, o nosso Frei Roberto Magalhães, um modelo de vida Conventual regular, encaminha-se serena e fagueiramente para abraçar com galhardia, um século de vida, todo ele dedicado a Deus e aos irmãos.

Frei Roberto Magalhães era o frade capuchinho mais idoso do Brasil e completou no último dia 20 de março 81 anos de profissão religiosa e, em 1º de outubro, celebraria 76 anos de sacerdócio.

Hoje, o dom da longevidade, da vitalidade e da simplicidade permanecem constantes em Frei Roberto, sinal da presença de Deus em sua vida e da fidelidade deste mesmo Deus, que concede suas graças generosamente a quem quer.

Frei Roberto entre nós, hoje, nos ajuda a perceber qual o perfil de um cristão capuchinho. Apesar de sua idade, mantém lucidamente uma compreensão bem atualizada da vivência do carisma.

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