Enredo de escola de samba do Rio vai falar de Cristo em um mundo marcado pela intolerância

Por: Mathias Ribeiro
. Atualizado: 14/05/2020 às 01h:38

A Mangueira revelou na última quarta-feira (17), o seu enredo. Com “A verdade nos fará livre” o carnavalesco Leandro Vieira vai falar de Jesus Cristo. Mas, como garante, não será uma biografia retratando a trajetória de Jesus de Nazaré.

“Vou falar de um Cristo mais humano, que anda com as pessoas da Mangueira, de amor irrestrito nesses tempos de ódio. Um Cristo combativo, que condena a hipocrisia dos líderes religiosos, que combate a intolerância, o preconceito racial e de gênero, que não se furta diante dos grandes problemas da humanidade”, afirma Leandro em entrevista ao Jornal O Globo, que acredita que não enfrentará problemas com a Igreja.

Leandro Vieira, que não professa nenhuma religião, mas crê em Deus e se diz um homem de fé, mais uma vez quer aproveitar o carnaval para suscitar a reflexão. Ele, que ainda vai entregar a sinopse do enredo aos compositores, diz que a temática do Cristianismo, tem sido utilizada ao longo dos anos em várias manifestações artística, como literatura, artes plásticas, música, cinema e teatro.

“Não vejo por que não poderia ocorrer no carnaval, que é a maior manifestação cultura do povo brasileiro. Não quero causar polêmica. Mas sim, usar o carnaval, a arte como instrumento de reflexão”, disse Leandro.

O enredo está disponível no site oficial da escola de samba.

Leandro tem consciência de que não vai ser nada fácil. Os embates com a comunidade religiosa podem surgir, afinal a relação entre Igreja e Sapucaí nunca foi das mais tranquilas. A polêmica mais famosa aconteceu em 1989, quando a Beija-Flor foi proibida por uma liminar obtida pela Arquidiocese de apresentar na Sapucaí uma réplica do Cristo caracterizado de mendigo (no enredo “Ratos e urubus… Larguem minha fantasia”, de Joãosinho Trinta).

Homem de fé que não segue doutrina religiosa (“minha família tem tradição evangélica e católica, e a vida me aproximou de pessoas de religiões de matriz africana”), Leandro também cita como exemplo as novelas bíblicas e a representação de Cristo em pinturas e esculturas (“por que só o carnaval, arte brasileira por excelência, não pode?”).

— Vivemos num ambiente democrático, e o que a Constituição diz é que não se pode vilipendiar imagens. Não tenho a menor intenção de fazer isso — diz ele, que tem trocado ideias com o pastor progressista Henrique Vieira. — O enredo é uma homenagem, o que já é tradição da escola.

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