Desmentindo algumas mentiras sobre o caso da menina de 10 anos

Por: Mathias Ribeiro
. Atualizado: 18/08/2020 às 02h:39
Ato em hospital de Recife ./Reprodução

Uma menina de 10 anos engravidou depois de ser estuprada, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. O suspeito do crime é o tio da vítima. A menina denunciou o caso para a polícia neste sábado (8).

De acordo com a Polícia Militar, a menina deu entrada no Hospital Estadual Roberto Silvares acompanhada de um familiar informando ter sido vítima de estupro e estar grávida.

O aborto da menina de 10 anos atraiu manifestantes para a porta do hospital no Recife onde o procedimento foi feito neste domingo 16, após autorização da Justiça. Houve confusão e a Polícia Militar foi chamada para impedir tentativas de invasão ao hospital por parte dos manifestantes contra o aborto.

Entre os grupos que se mobilizaram em frente ao centro médico para protestar contra o procedimento estão o Movimento Pró-Vida e o grupo católico pernambucano Porta Fidei.

Desde o ocorrido muitas mentiras sobre os grupos Pró-Vida circulam na internet, e é isso que iremos desmentir neste artigo.

Mentira 1 – Defesa da gestação até o final

Os grupos pró-vida não defenderam que a menina de 10 anos levasse a gestação até o final, desde o início os grupos pró-vidas e muitos outros centros católicos incluindo médicos defendiam que a menina levasse a gestação por mais duas semanas para que fosse feito uma cesárea e o bebê – pré-maturo – fosse levado para uma UTI, pois as chances de vida do bebê seria maior e de acordo com os médicos pró-vida, não haveria riscos a saúde da a menina. Os grupos também ofereceram ajuda médica, financeira, psicológica e psiquiátrica para a menina. Em entrevista a Gazeta do Povo:

A ginecologista e obstetra Elizabeth Kipman, coordenadora nacional de Bioética do Movimento da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, explica que o aborto provocado se torna mais complicado quanto maior o tempo de gestação.

O procedimento, segundo ela, começa com a morte do bebê dentro do útero. “Primeiro se mata o nenê atravessando uma agulha comprida pela barriga da mãe. Atravessa o útero até chegar ao coração do nenê. O nenê foi morto com uma injeção de cloreto de potássio”, diz.

Kipman explica que, depois da morte do bebê, o trabalho de parto não começa imediatamente – demora entre 24 e 48 horas. “Eles tiveram que forçar, induzir”, diz. “Depois dos três meses, a partir do quarto mês, isso vai ficando mais perigoso. E, depois do quinto mês, é mais perigoso fazer um aborto provocado do que o parto.”

Marcus Cavalheiro, médico especializado em ginecologia e obstetrícia, diz que o risco associado ao parto não justifica o aborto. “É uma gestação de risco, mas é um risco controlável. Há dificuldade para um parto normal, porque não tem maturidade na bacia, mais provável que se faça uma cesária. É um risco relativo, mas é um risco controlável. Ela não está condenada à morte porque está grávida com dez anos. A obstetrícia está bem desenvolvida para lidar com os riscos”, diz.

Elizabeth Kipman explica que algumas diferenças em relação a outros grupos se devem ao fato de que, na maioria das vezes, grávidas em idades tão precoces estão fazendo um parto pela primeira vez. “Elas têm mais tendência, porcentagem um pouco maior, a subidas de pressão, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, como toda primigesta, como toda gestante que faz um parto pela primeira vez. Em geral, essas meninas fazem um parto pela primeira vez. Com um controle adequado de pré-natal, isso não leva a um risco maior”, diz.

Kipman menciona diversos artigos científicos que evidenciam essa opinião. Em um artigo de 2006 publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, por exemplo, os autores chegaram à conclusão de que “as gestantes adolescentes precoces e tardias apresentaram evolução da gestação e desempenho obstétrico semelhantes”.

No caso, a menina não teria de esperar os nove meses para fazer a cesária. Os médicos poderiam fazer o parto nas próximas semanas, preservando as duas vidas.

Mentira 2 – A menina iria criar o bebê

Nenhum grupo defendeu que a menina deveria criar o bebê, o objetivo era que o bebê fosse levado a UTI e logo em seguida fosse entregue a adoção, inclusive já tinha casais interessados em adotar o bebê. Em nenhum momento foi citado por algum grupo pró-vida ou instituição católica que o homem foragido deveria assumir a paternidade da criança.

Mentira 3 – Defesa do estupro

Os grupos pró-vida se solidarizaram com o caso da menina e ofereceram todos os suportes necessários. Em nenhum momento os grupos defenderam o estuprador. Muitos se manifestaram repudiando o caso da mesma forma que repudiaram o aborto.

Desde a notícia sobre o ocorrido na França sobre o aborto, católicos se manifestam contrários nas redes sociais.

Mentira 4 – Sara Giromini organizou os protestos

As manifestações nas redes sociais começaram desde o dia 8 de agosto, o Porta Fidei já havia entrado em contato com a avó da criança. Sara Giromini publicou no seu twitter as informações da criança logo depois que o Porta Fidei já tinha todas as informações, isso sem falar que o hospital de Recife já era conhecido pelas práticas de aborto.

Mentira 5 – A vida da menina de 10 anos não importa

Todos que conhecem os movimentos pró-vida sabem que o slogam é “as duas vidas importam” não faz sentido que o movimento dê menos importância a vida da menina. Além disso, um laudo médico apontava que a gestação não colocava em risco a saúde da menina de 10 anos. Especialistas confirmam que parto seria menos traumático.

Mentira 5 – Manifestantes chamaram a menina de assassina

Segundo informações de pessoas que estavam presentes na entrada do hospital, alguns dos manifestantes só rezavam, procuravam informações sobre a situação da menina e manifestavam-se pacificamente, mas outros gritavam “assassino” ou “assassina” para agentes de saúde que passavam (contudo, os presentes do movimento pró-vida garantem que os gritos de “assassina” não se dirigiam à menina, como afirmaram alguns veículos de imprensa).

Membros de movimentos feministas também chegaram ao local, e um conflito se estabeleceu. Os grupos se hostilizaram e começaram a gravar vídeos que foram divulgados nas redes sociais.

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