Brasil não tem sacerdotes suficiente para atender todos os pacientes em estado grave de COVID-19

Por: Redação Deo Vero
. Atualizado: 3/06/2020 às 23h:16
Foto: Canção Nova

Estimativa realizada por pesquisadores brasileiros e publicada no site Covid-19 Brasil aponta mais de 1,6 milhão de casos da doença causada pelo novo coronavírus no país, sendo 526 mil só no Estado de São Paulo. O número, referente ao dia 4 de maio, é 14 vezes maior do que o registro oficial. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país registrava 108 mil episódios confirmados da doença, sendo 32 mil só no estado paulista.

No intervalo de apenas um mês, o Brasil multiplicou por cinco o seu total de mortes por covid-19, em mais uma marca dramática atingida pela pandemia no país. As mortes por covid-19 ultrapassaram 30 mil, atingindo o total de 31.199 mortos pela doença no país todo, segundo o boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça (2 de junho). Há um mês, o relatório diário da Organização da Saúde (OMS) mostrava que o Brasil tinha 5,9 mil mortes pela doença em 2 de maio.

No momento em que muitos Estados e municípios já discutem e implementam medidas de flexibilização da quarentena, os dados globais da covid-19 compilados pela Universidade Johns Hopkins mostram que a curva de contágio do Brasil continua ascendente, diferentemente de outros países europeus e asiáticos em processo de flexibilização, cujos dados parecem indicar, no momento, uma estabilização no número de casos.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, do total de casos, 7.919 estão em estado grave, necessitando de internação em hospitais de referência em todo o Brasil. Há ainda registro de internações por vírus respiratórios (1.888), entre eles, a influenza a e B, e outras Síndromes Respiratórias Agudas Graves – SRAG (14.844). Estão ainda em investigação 38.773 internações por SRAG.

Todos os Estados brasileiros já têm óbitos confirmados. Lideram em números de casos e óbitos São Paulo (188.265 casos e 7.994 mortos), Rio de Janeiro (56.732 casos e 5.686 mortos) e Ceará (53.073 casos e 3.421 mortos).

Sacramento da Unção dos enfermos

O Brasil não tem sacerdotes suficientes para realizar a unção dos enfermos em pacientes em estado grave de COVID-19, em projeção feita para 2018 feita pelo Ceris (Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais), órgão da CNBB (Conferência Nacional de Bispos do Brasil), aponta 27,3 mil padres no país —um clérigo para 7.802 habitantes. No último censo interno da Igreja, de 2014, eram 24,6 mil (um padre para de 8.130 brasileiros). Levando em conta que de acordo com o IBGE, católicos representam 64,6% da população brasileira e supondo que em um cenário hipotético das 63.424 pessoas internadas, 60% for católica, daria 38.544 pessoas para receber o sacramento da extrema unção para 27,3 mil sacerdotes, isso sem contar os sacerdotes idosos que estão no grupo de risco e que seriam barrados em qualquer hospital.

Burocracia

© Reuters / Diego Vara / Direitos Reservados

Outro fator que impossibilita os doentes de receberem o sacramento da unção dos enfermos é a burocracia. Antes da pandemia os hospitais possuíam regras para visitas religiosas sendo quase impossível conseguir um horário para atender os pacientes, agora somente pessoas autorizadas – profissionais da saúde – podem entrar nos hospitais, nem mesmo os familiares das vítimas podem visitá-las. Também falta equipamentos de proteção para médicos o que dificulta mais ainda o atendimento visto que não tem equipamentos de proteção para os sacerdotes também.

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