Diácono Renato Afonso Vinhal

A grande Missa

. Atualizado: 29/05/2020 às 14h:41
Foto de: pexels.com/pt-br/@pixabay

Nem mesmo o maior dos pessimistas, acho que nem mesmo Kafka, poderia ter previsto o que nós católicos estamos atravessando neste momento terrível de pandemia e isolamento social. Sem acesso aos sacramentos, principalmente a Santíssima Eucaristia, o Sacramento dos Sacramentos,  nosso povo de repente se viu a deriva em um oceano ainda desconhecido por sua geração. 

O objetivo deste artigo não é entrar no mérito de se celebrar ou não os sacramentos nesse período, ou se a ou b deveriam agir de tal maneira ou não. Mas tentar de alguma forma reanimar e fortalecer os corações daqueles que hoje padecem sem o Alimento Salutar da Vida Eterna. E para isso, proponho analisarmos juntos algumas realidades que poderão nortear esse triste momento vivido por nós nesses últimos dias.

Desde o início da quarentena, por Providência Divina, pude servir o altar como diácono quase todos os dias, tendo em vista que o meu pároco ofereceu o Santo Sacrifício quase todos os dias. E eram durante essas celebrações que fui sendo tocado a escrever essas linhas. A primeira interrogação que permeou meu coração foi a seguinte: como as pessoas que estão acostumadas a ir às igrejas todos os domingos estão conseguindo ficar sem a Santa Missa e a Sagrada Comunhão? E então eu concluí o seguinte: a Missa não lhes foi tirada agora; na verdade a Missa já lhes fora retirada a muito tempo. Você agora pode estar se perguntando o que eu estou dizendo, ou o que quer dizer isso. E eu, sem rodeios, prontamente lhe respondo: Em muitos lugares, e de muitas maneiras, arrancaram de nós o verdadeiro sentido do Sacrifício de Cristo presentificado em cada Santa Missa. Transformamos a Missa em um encontro fraterno, ou um show de auditório e assim esvaziamos o sentido do sacrifício ao ponto de  não mais ser para nós algo essencial. Esse é o grande problema, e penso ser o mais grave da Igreja contemporânea. 

Se os cristãos católicos de todo o mundo tivessem a consciência sobre a profundidade, o valor, a riqueza de cada ato, de cada gesto e, por consequência, a importância da manifestação pública dessa Verdade redentora, o Estado ou quem quer que seja jamais conseguiriam impedir os fiéis de “invadirem” as Igrejas, ou de se celebrarem novamente como se celebravam clandestinamente nas Catacumbas. Da mesma forma, os clérigos que em toda a história da Igreja preferiram morrer do que abandonar seu rebanho sem os sagrados sacramentos. Desde os apóstolos perseguidos por Nero e outros imperadores até agora mesmo no século XX com os Cristeros no México que preferiam bradar “Viva Cristo Rey” antes do fuzilamento, do que negarem sua Fé e ficarem sem a Missa.

Precisamos voltar com urgência às raízes de nossa fé. A fé, para nós cristãos católicos, deve fazer parte do núcleo, do cerne de nossas vidas, e não algo periférico que eu vou simplesmente para cumprir um preceito ou aliviar minha consciência, Nosso Senhor quer nossas vidas entregues a ele em todos es estados, desde os religiosos, clérigos, leigos ou famílias. Que esse tempo possa ser um tempo para nós de sacrifício e de oblação, como se fosse uma GRANDE MISSA que a Santíssima Trindade está celebrando com a humanidade. Entreguemo-nos com confiança que a vitória é certa, afinal “os marcados com a Cruz de Cristo caminham alegremente no escuro”.

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